Archive for the ‘Revista Flamengo’ Category

Homenagem

01/06/2010

Como o tempo passa rápido… Neste mês, mais precisamente no próximo dia 16, terão se passado três anos sem meu pai. Naquela triste tarde de 2007, experimentei a maior dor da minha vida até então. Uma dor que, certamente, nunca será superada, mas que, com o tempo, vai serenando e virando uma saudade constante.

E foi apenas no final do mês passado, através da Revista Flamengo, na qual sou repórter/redator, que consegui fazer uma homenagem digna do excelente pai que ele foi. No momento em que coloquei o ponto final no texto, que reproduzo abaixo, confesso que chorei muito. E resolvi fazer esse post agora porque minha mãe, que acaba de ler a revista, me ligou chorando para agradecer a homenagem.

Ps.: Apesar de este blog estar parado, tô pensando em reativá-lo, para escrever sobre Flamengo. Por isso, resolvi fazer o post aqui.

Eu vi o Zico jogar

Por culpa dos meus pais, não tive a oportunidade de ver, ao vivo, as principais conquistas do Flamengo no início da década de 80. O motivo: eles me fizeram um pouco tarde demais.

Nasci em 1978, ano em que a brilhante centelha do gol de Rondinelli contra o Vasco, na final do Campeonato Estadual, acendeu a chama do time mais vitorioso da história rubro-negra.

Em 1981, com três anos de idade, meu figurino em muitas de minhas fotos já era a indefectível camisa do Flamengo. No entanto, naquela época, eu não tinha como ter dimensão do significado do que havia acontecido no Maracanã um ano antes, quando, após aquele golaço de Nunes, conquistávamos nosso primeiro de muitos títulos brasileiros. E, muito menos, do que havia acabado de acontecer em Montevidéu e em Tóquio.

Libertadores? Mundial? Até então, minhas preocupações eram aprender a falar Flamengo em vez de “Famengo”, dar mais de dez passos sem cair para o lado e me acostumar a usar o vaso sanitário, em vez das fraldas.

E mesmo sem nunca ter sido fanático por futebol, meu saudoso pai, pouco a pouco, me mostrou a importância de ser rubro-negro, assim fez com outros ensinamentos para a vida, como se tivesse um manual definitivo de formação de grandes homens, tal e qual ele foi.

Meu jogaço não foi nenhuma decisão de título, apesar de eu ter visto algumas ao vivo, como, por exemplo, a do golaço de Petkovic em 2001, certamente a maior emoção que já senti dentro do Maracanã, pelas circunstâncias e o nervosismo do momento.

Jogaço, mesmo, eu considero o Flamengo 3 x 1 Santa Cruz do dia 22 de novembro de 1987, pela última rodada do segundo turno do Campeonato Brasileiro, quando, ao sair do estádio, pude dizer com orgulho: eu vi o Zico jogar!

Àquela altura de minha vida, já experiente e cascudo do alto de meus nove anos de idade, o futebol já havia se tornado uma paixão. E meu pai, antes de me levar ao Maracanã pela primeira vez, já havia me ensinado a encarar Zico como um herói.

Lembro-me bem de um amistoso da Seleção Brasileira contra a Iugoslávia, em 1986, pouco tempo antes da Copa do Mundo do México. Assistindo ao jogo pela TV, ao lado do meu pai, levamos um esporro de minha mãe, porque comemoramos feito loucos o antológico gol feito pelo Zico, em que ele invadiu a área driblando pelo meio da defesa, passou pelo goleiro e só faltou entrar com bola e tudo. Era um jogo de meio de semana, tarde da noite e, com a comemoração, acabamos acordando meu irmão, na época com apenas três anos de idade. Esporro merecido!

Na campanha do tetracampeonato de 1987, crianças da minha idade idolatravam o Renato Gaúcho. De fato, ele vinha comendo a bola, tanto que foi eleito o melhor jogador daquela competição. E numa visita à Gávea, também levado pelo meu pai, tive a oportunidade de pegar vários autógrafos num bloquinho de papel, mas ao menos uma assinatura eu fazia questão de colher na camisa 7 que vestia: a daquele jogador que, oito anos depois, me faria, após uma barrigada, sentar desolado na arquibancada, também ao lado de meu pai, e chorar de raiva.

E já com o autógrafo do Renato devidamente colhido ao lado do número 7, meu pai me pegou pela mão, apontou pro Zico e disse: “o autógrafo dele também tem que estar na camisa”. E, orgulhoso, Seu Sergio viu nosso herói deixando a assinatura no manto que seu filho vestia.

O jogo contra o Santa Cruz foi algumas semanas depois dessa ida à Gávea e seria apenas mais um daquele campeonato, no qual assistimos a vários no Maracanã, entre eles os mais importantes: a semifinal contra o Atlético-MG e a final contra o Internacional.

Com a bola em jogo, o primeiro tempo terminou sem gols – inclusive com um pênalti perdido pelo Santa Cruz –, mas, com o Flamengo atacando para o lado da torcida, Zico já dava uma espécie de aperitivo do que seria uma tarde mágica quando, ainda nos primeiros minutos, após um cruzamento de Aílton pela direita, arrematou de bicicleta, mas acertou o travessão.

Foi então que o jovem lateral-esquerdo Leonardo, recém-chegado das categorias de base, fez uma jogada pela esquerda logo no primeiro minuto do segundo tempo, que Zico completou para o gol, abrindo o placar contra os pernambucanos. Lembro-me de ter ouvido no rádio que Leonardo chorou, por ter, pela primeira vez, dado um passo para seu ídolo marcar um gol.

Pouco tempo depois, os pernambucanos empataram, mas o jogo sempre esteve sob controle do Flamengo. E aos 34 minutos do segundo tempo, depois, num novo ataque pela esquerda, a vantagem aumentou. Zinho entrou driblando na área e sofreu pênalti, que Zico cobrou, para fazer o segundo.

O Flamengo já havia perdido um caminhão de gols ao longo do jogo, alguns deles pelos pés do próprio Zico. Mas numa falta pela direita de ataque, na entrada da grande área e ideal para um canhoto, nosso Galinho resolveu coroar uma atuação de gala com uma verdadeira obra-prima. E aos 45 minutos do segundo tempo daquele jogaço, Zico realizou mais umade suas cobranças magistrais. Incrédulo, o goleiro Birigui ficou parado no meio do gol, em cima da linha, olhando a bola entrar, da forma mais improvável, em seu ângulo superior direito.

Ao sair do Maracanã, de mãos dadas com meu saudoso pai, pude ouvir dele: “Hoje você viu o Zico jogar, meu filho!”.

Clique nas imagens para ampliar

Video com os gols do jogo

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Revista do Flamengo – Nº 2 nas bancas!

27/11/2009

Para quem não sabe, sou redator da revista Flamengo, a revista oficial do clube. E chegou hoje às bancas aqui do Rio de Janeiro, até quarta-feira que vem em todas as outras capitais, o segundo número, que tem como destaque uma entrevista muito legal que fizemos com o Petkovic, que rendeu 10 páginas!

Além disso, a revista ainda traz uma matéria minha sobre o Maycon Santana, um tímido moleque do sertão da Bahia, que apareceu para o Brasil num video colocado no Youtube e acabou trazido para o Mengão.

Também são minhas as matérias sobre o Leandro, o maior lateral-direito de nossa história, e sobre o fechamento do Maracanã, a casa do Mengão, a partir de 2010.

E o mais legal dessa revista é que lá SÓ TRABALHA RUBRO-NEGRO! E isso está num selo, bem no expediente, como vocês vão poder ver quando comprarem.

Hoje ficamos sabendo que o Adriano foi vetado para o jogo contra o Corinthians, por causa de uma queimadura no pé. É um baita desfalque, mas não tem pra onde fugir! A gente tem que ir pra cima deles de qualquer jeito. Como bem disse o Arthur Mulhemberg, no Urublog, o “Flamengo é muitas vezes maior que Adriano. É ele que joga no Mengão e não o contrário. Moral elevada, rubro-negros, nada mudou no nosso planejamento. Vamo pra cima da gambazada sem passaporte. Sem Adriano, mas também sem medo“.

Continuo com a máquina zero na tomada! Firme e forte para nos tornarmos os #CarecasdoHexa!